sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Coisas que eu não posso te dizer, mesmo querendo.


Eu queria te contar que agora não dói mais. Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso. Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei. Ok, chorei. Mas pelo filme, e não por você. Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias. Porque elas me faziam mais falta do que você fez. Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias. Eu estou aprendendo a tocar violão. E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino pra nós dois. Ela é tão linda, e sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você. Mas ainda sim, não dói. Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber. Porque te conheço. E isso não mudou. Do mesmo jeito que pressenti as coisas ruins que você aprontou, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim, as vezes. Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.

— Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

É só questão de ser...


Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.


Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Dançar na chuva quando a chuva vem.
Chorar, sorrir também e dançar.

Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.

(Marcelo Jeneci - Felicidade)



Entenda que:


Mulher não desiste, se cansa. A gente tem essa coisa de ir até o fim, esgotar todas as possibilidades, pagar pra ver. A gente paga mesmo. E paga caro. Mas não tem preço sair de cabeça erguida, sem culpa, sem um monte de "se" na cabeça! A gente completa o percurso e ás vezes fica até andando em círculos, mas quando a gente muda de caminho, meu amigo, é fim de jogo pra você. Enquanto a gente enche o saco com ciúmes e saudade, para de reclamar e agradece a Deus! Porque no dia que a gente aceitar tranquilamente te dividir com o mundo, a gente não ficou mais compreensiva, a gente parou de se importar, já era. Quem ama, cuida! E a gente cuida até demais, mas dar sem receber é caridade, não carinho! E estamos numa relação, não numa sessão espírita. A gente entende e respeita seu jeito, desde que você supra pelo menos o mínimo das nossas necessidades, principalmente emocionais, porque carne tem em qualquer esquina. Vocês nem sempre sabem, mas além de peito e bunda, a gente tem sentimentos, quase sempre a flor da pele. Somos damas, somos dramas, acostumem-se. Mulher não é boneca inflável, só tem quem pode! Levar muitos corpos pra cama é fácil, quero ver aguentar o tranco de conquistar corpo e alma, até o final.

(autor desconhecido)

Disseram por aí...



Gosto das bebidas mais fortes. dos cafés mais amargos, dos venenos mais lentos, do rock'n'roll mais pesado, dos carros mais potentes, das drogas mais poderosas. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Tente me empurrar de um penhasco e eu direi: e dai? Eu adoro voar! (Slash)






O rock é simplesmente fantástico. Veja tudo o que ele significa: preenche as cavidades toráxicas e alivia os joelhos, o peso nas costas. Isso é a minha vida, cara, é o meu mundo. A música é minha religião. (Jimi Hendrix)






Nenhuma conversa sobre o materialismo e a arte faz sentido, música principalmente. Você não pode abandonar algo que você realmente acredita por razões financeiras e você obviamente não crê nelas só porque te darão lucro. Eu faço música e é isso, não importa o motivo ou onde isso vai dar. (Robert Plant)





O meu papel na sociedade, ou de qualquer artista ou poeta, é tentar expressar o que todos nós sentimos. 
Não dizer às pessoas como elas devem se sentir. Não como um pregador, não como um líder, mas como um reflexo de todos nós. Isso é a música, cara, isso é compor. (John Lennon)




O rock já deixou de ser rebelde há muito tempo.  Hoje em dia, pais e filhos escutam juntos.  (Mick Jagger)










As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias. Tudo que fizermos hoje, ficará na memória daqueles que um dia sonharam em ser como nós: loucos, porém, felizes.
(Kurt Cobain) 


domingo, 11 de dezembro de 2011

Existe diva após Adele?


Digam o que quiserem, chamem de dor de cotovelo ou de coração partido, mas admitam: 2011 foi o ano da Adele! Em um ano em que o mundo se viu perdendo Amy Winehouse, um fenômeno singular, eis que surge outra diva, com um talento que não deixa nada a desejar se comparada à sua conterrânea. Não só pela voz extraordinária ou pelo dom inquestionável de compor canções maravilhosas, Adele se assemelha à Amy quando o assunto é inspiração para as letras: os relacionamentos conturbados e quase sempre fracassados que ambas tiveram ao longo da vida e que não poderiam gerar frutos mais preciosos à uma cantora de soul/blues, do que as composições tão tocantes.

A jovem britânica, de apenas 23 anos, parece ter menos vícios e traumas que a falecida Amy. Tudo leva a crer que, ao contrário da polêmica filha de Mitch Winehouse, Adele conseguirá ultrapassar a marca dos 27 e não será mais uma no ranking dos artistas de raros talentos que morreram ao chegar nesta idade. Bom, ao menos é isto que esperamos todos nós, seus fãns, que acreditamos que ela será capaz de superar o cigarro e dar vida longa às suas cordas vocais. Pra quem não está por dentro do assunto, serei breve: a artista passou por pequenas cirurgias na cordas vocais no último mês, mas se recupera bem e deve voltar aos palcos em Janeiro de 2012.

Adele bateu a incrível marca de 3 milhões de cópias vendidas somente no Reino Unido, com o seu segundo álbum "21", e permaneceu por semanas no topo das paradas em 17 países ao redor do mundo. Foi a primeira mulher a receber o prêmio Critic's Choice no último Brit Awards, além de ter sido nomeada a artista revelação do ano, segundo a BBC. Em 2009, recebeu dois Grammy Awards (Melhor Vocal Feminino e Artista Revelação) e, em 2010, se tornou a primeira artista a alcançar, ainda viva, uma canção e um álbum como número um ao mesmo tempo na Inglaterra desde Os Beatles, em 1964. 

Com tantas conquistas em tão pouco tempo e com seu talento mais do que reconhecido e aclamado pelo público, resta saber se a nova diva terá sabedoria para lidar com o sucesso e força para, mais do que nunca, lutar contra a vício do cigarro e continuar emocionando a todos nós com a voz maravilhosa que Deus lhe deu. Bem, eu acredito que sim e torço muito por isso. 



Então, queridos, 2011 foi ou não o ano da Adele?

Uma palavra: PAIXÃO.
Um sentimento: SAUDADE.

Estamos combinadas?


Chore tudo que você tiver que chorar. Lembre de tudo que você tiver que lembrar. Tire um dia só para falar dele. Embriague-se dele. Tenha uma overdose dele. Repita o nome dele dentro da sua cabeça mil e uma vezes. Pense nele antes de dormir, e refaça os seus diálogos. E então, no dia seguinte, acorde para uma vida nova. Deixe ele, e tudo do dia passado, alí, no passado.

- Tati Bernardi

Só se aprende vivendo..

É mais fácil viver depois que se aprende que a vida é cheia de altos e baixos, e mais baixos ainda. Que pra levantar você precisa ter força. E força, menina, tu adquire quebrando a cara. E com a fortuna que tu levas na mente, começa a ter certeza de que algo dez vezes melhor topará em ti lá na frente.


História Para Além das Cartas


Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as nossas cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.

- Caio Fernando Abreu.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Coisas de Pais e Filhas



Sabe, fui ensinada por meus pais, entre outras coisas, a lutar pela vida, a ser forte, a ser firme nas palavras e nas decisões tomadas. Mas de uma lição eu jamais vou me esquecer: meu pai me ensinou que, pra curar as feridas da alma, não há nada melhor que uma boa música e um café bem amargo. Me entregou uma porção de discos antigos, muito rock e blues, que era pra eu ouvir quando a alma pedisse alento. Me ensinou a ligar a velha vitrola. Quando estou cansada, deito ao lado da mesma e escuto aquelas canções antigas até o raiar do dia, pois também fui ensinada que até notas avulsas podem limpar a mente e aquietar o coração da gente. Funciona, e foi uma das melhores coisas que eu aprendi com ele. 

Obrigada, pai! Eu amo muito você ;)

História de Nós Dois - digo, de quando ainda éramos.






Mas os teus olhos pesam com queda surda e baque mudo através da menina, íris, sinal de sangue e eco suspenso, rapaz. Tu esconde, tu embola, tu submerge e sufoca para não trazer à tona, contudo minhas mãos-e-dedos-e-calos tremem a cada toque teu. E eu sinto. Sinto tanto. Sinto tanto, sinto-muito. Porque tuas palavras quase retalham o papel, tua melodia quase estoura as cordas, teus pincéis quase acidificam a tela. Porque teus passos afundam no concreto, teu leito escorre descaso e teus pontilhos fogem à regra. A dor que retalha, picota, desfaz e tricota teus dias, a impaciência que corrói e corrobora – e a paz, para onde fugiu?! E o amor, o bendito, o maldito, o não-dito, onde se escondeu?! E as cores, os sabores, os mundos e seus patamares superiores, onde foram cobertos?! É pique-esconde, tu repete, repete, mas logo cansa. É sina, tu declara, declara, e logo esquece. Eu capto, rapaz, cada gota e suor escorrido. Mas não te trago curativos e te deixo tragar amargura e cigarro empoeirado. Mas não te ofereço remédios e te deixo remediar os cortes com bebida barata. A água esvai, o pó permanece. E somos, eu e tu, dois serelepes melancólicos. Porque é egoísmo meu poupar-te do pão poético, da pena e do tinteiro lírico. Não te embalo. Porque é defeito meu desenrolar teus nós atados e cegos por ilusões que aludem às rimas. Não te acalento. Porque o suprimento meu, perfurando peito e carcaça humana, atravessando pontes e descobrindo âmago e fio de prata, não difere ao teu. O grito que ecoa – teu afora ou meu adentro? A inatividade que sufoca – pulos teus ou parada minha? É a compatibilidade do interior que nos torna, me torna, te adorna, um dupla tão compreensiva. E trememos. E falhamos. E somos falhados, feito caneta prestes a estourar. Um par de mãos-e-dedos-e-calos dados, como pesar que se apóia em pesar. Olhos, meus, teus. Quedas, baques, em dobro. Pesar nosso.


- Cláudia Clado

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amaduressência


Pois é, faz tanto tempo.. Passei um bom tempo sem sentir vontade de vir aqui, de escrever. Mas é que eu passei por um momento tão in, tão meu, entendem? Estive tão focada em me cuidar, em me guardar, em ficar só e assim tentar decifrar a mim mesma.. Às vezes é bom, sabe? Às vezes faz tão bem passar um tempo reclusos em nós mesmos, cuidando da gente, das nossas dores, dos nossos vícios, das alegrias que só a gente conhece. Faz bem olhar pra dentro e cuidar do que se vê - digo, faz-se necessário, às vezes, esquecer um pouco o mundo lá fora e cuidar daquilo que só você conhece e entende como ninguém, cuidar de ti e do que tu és. A vida é uma coisa tão imprevisível, tão cheia de truques e caminhos que, francamente, nem vivendo por séculos conseguiríamos decifrar e conhecer a fundo todos eles. Talvez depois da morte, em outra vida, talvez depois de muito nascer e renascer, a gente consiga entender alguma coisa da imensidão que é o viver. Trata-se de uma verdadeira caixinha de surpresas e ela nos mostra, a cada segundo, que por mais difícil que as coisas pareçam ser, sempre dá pra tirar um coelho da cartola, mudar o rumo da história, redescobrir motivos para continuar vivendo. E é exatamente por isso que a gente precisa passar um tempo in - porque é dentro da gente que vamos encontrar todos esses inúmeros motivos que a vida nos dá para continuar na luta, firme e forte. Todo mundo sofre um dia, todo mundo se decepciona, se machuca, todo mundo tem feridas. Mas toda ferida cicatriza um dia, toda ferida se fecha. Algumas saram e somem com o tempo, outras formam cicatrizes bem visíveis, pra que você nunca se esqueça delas. Mas, acredite em mim, no fim das contas, até essas feridas mais graves deixam de ser um problema. Com o tempo você aprende a aceitar sua dor, a cuidar, a respeitar e, principalmente, a conviver com ela. Ai então você percebe que a dor faz parte, mas que sorrir é sempre bem melhor e mais saudável. Tudo isso faz parte, tudo isso acaba servindo para nos tornar pessoas melhores - mais ou menos como diz a canção: "melhores na dor, melhores no amor, melhores em tudo." E assim é a vida, e é assim que tem que ser. Sabe, eu não acredito na morte, eu não acredito que uma vida se acabe quando morre a matéria. Eu creio em alma, na vida que segue. E é isso que muitas vezes me dá alento. Não é por acaso que a gente vive aqui neste mundo, existe uma razão maior e é a mesma razão pela qual passamos por tudo o que passamos. Cada sentimento, cada passo, cada pessoa que entra em nossa vida, cada palavra.. tudo isso faz parte de algo muito maior, algo que vai muito além do nosso entendimento. Algo que nós só iremos compreender quando for a hora certa, e essa "hora certa" não depende de nós.. só depende de Deus. Então, temos simplesmente que deixar que as coisas aconteçam. Tudo tem seu tempo. Cada alegria, cada dor, cada momento da vida tem uma finalidade quando o assunto é evolução. E é isso que fazemos o tempo todo, temos que fazer. Evoluir, deixar fluir, seguir em frente e, acima de qualquer outra coisa, acreditar. 




Gabi Roldão.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


Mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo, mas que só você, de algum modo, fosse capaz de ativar. Eu sei, é lindo. Mas, logo em seguida, quando penso em quão longe você está, sinto-me despedaçar por inteira. Isso não acontece sempre, mas acontece toda vez que lembro da distância e de que aquilo tudo se tornou um nada permanente. Sabe a sensação de arrancar um doce de uma criança? Pois é, nessas horas eu sou essa criança. E dói. Mas eu sigo assim, penso em você, sorrio, sofro por uma fração de segundos e rezo, peço pra Deus cuidar da gente, amenizar essa dor e trazer logo a minha cura.  (Caio Fernando Abreu)



O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila, em silêncio, sem dar conselhos, sem que digam “se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. (Rubem Alves)


quarta-feira, 20 de julho de 2011


Mas, de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. E ser feliz pra caralho! (Caio Fernando Abreu)

Também me canso, sabe?


Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Estou aceitando o fato de que algumas pessoas nasceram para sentir o amor, mas não para viver um. Ah, quer saber? Seja feliz.  (Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Remar. Re-amar. Amar.


Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar. 


(Caio F Abreu)

E quando teu sol for chuva, querida, deixa molhar.




Eu comecei minha faxina. Tudo o que não serve mais - sentimentos, momentos, pessoas - eu coloquei dentro de uma caixa e joguei fora.Tô bem assim, bem indiferente. O coração, um cactus. Não me importo mais. Dane-se! Comigo sempre foi tudo ao contrário mesmo. Mas continuo com aquela velha ideia rondando meus pensamentos. Aquela que diz pra gente não desistir, ir em frente. Afinal, sempre há uma chance de você tropeçar numa coisa maravilhosa pelo caminho. Tô tentando rir um pouco. Tenho aprendido que tudo tem jeito, que o tempo é remédio pra tudo. Vivendo e aprendendo.


(Caio Fernando Abreu) 


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ausência, por Caio F Abreu.



Foi numa dessas manhãs sem sol que percebi o quanto já estava dentro do que não suspeitava. A tal ponto que tive a certeza súbita que não conseguiria mais sair. Não sabia até que ponto isso seria bom ou mau mas, de qualquer forma, não conseguia definir o que senti quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto. Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto — certamente havia o concreto em algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro.. Mas as miudezas se amontoavam pelos cantos. E o que marcava e pesava mais era o intangível, o que não se podia medir ou descrever.  Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca. Minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos. Meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro, onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama ao meu lado. Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus processos, e que dizia sempre saber de tudo sobre mim mesma. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram. A verdade é que nada ia sanar aquele sentimento.. se sentir sozinho mesmo tendo alguém, tem base? Mas era assim que me sentia, e doía. Mas o tempo é meu amigo, ele vai passar e vai levar consigo essa dor. Enquanto isso vou vivendo assim, desse jeito meio torto que tenho vivido. Meio pelos cantos, vou juntando os cacos e alimentando o peito com o que me resta de concreto em mãos. 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Para quando escorrerem as lágrimas.


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso, às vezes cruel porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará, quem sabe, para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, te supreenderás pensando algo como: estou contente outra vez. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse é o nosso jeito de continuar: o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito também, e talvez até te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor.  Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada - não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - por essa coisa que chamarás com cuidado de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio.  Então fingirás. Aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça. Tão perdida ficou no tempo (esse) e pensarás no tempo (naquele) e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais, ou tomar um trem para um lugar desconhecido, ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada pra que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa. Já não é tempo de desesperos. Refreias, quase segura as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim: passou, e eu sobrevivi e estou sobrevivendo.

(Vai Passar, por Caio Fernando Abreu)

sábado, 7 de maio de 2011

Eu voltarei pra você todos os dias.




Os amores de verão terminam por varias razões, mas no fundo todos tem uma coisa em comum: são estrelas cadentes, um momento espetacular de luz nos céus, um vislumbre passageiro da eternidade e, num segundo, desaparecem. Ou não.

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O melhor amor é aquele que nos desperta a alma e nos faz querer mais. Aquele que coloca fogo no coração e traz paz à mente. E foi isso que você me deu. Isso é o que o que esperava dar a você para sempre. Porque eu amo você, Al.

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A razão pela qual a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.

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Eu posso ser engraçado se você quiser.. Inteligente, esperto, supersticioso, bravo, um bom dançarino. Eu posso ser o que você quiser. Só me diga o que você quer e eu serei aquilo pra você.



Se, em algum lugar distante no futuro, nós nos virmos, em nossas novas vidas, eu irei sorrir pra você com alegria, e lembrarei de como passamos o verão sob as árvores, aprendendo um com o outro e crescendo no amor. E talvez, por um breve momento, você sinta tudo outra vez também, e irá sorrir, e saborear as recordações que sempre dividiremos. Eu amo você, Allie.

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Não sou nada especial, e disso eu tenho certeza. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e levei uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e meu nome logo será esquecido... Mas em um aspecto, eu obtive sucesso como ninguém jamais teve. Amei alguém de coração e alma. E isso sempre foi o bastante pra mim.

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 Você acredita que nosso amor é capaz de fazer milagres?
 Claro, é ele que traz você de volta pra mim todos os dias.
Será que nosso amor seria capaz de nos levar juntos?
Nosso amor é capaz de fazer qualquer coisa.



(Diário de Uma Paixão)

sábado, 16 de abril de 2011

Doidas sempre, santas quando convém.


Vamos lá! Para começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Não, caríssimos, nem ela. Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações, que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos para cá, que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores, que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou a loucura em alguma gaveta, e nem se lembra mais. Santa mesmo, só a Nossa Senhora, mas, cá entre nós, não é uma doidera o modo como ela engravidou? (Não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do.)


Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida... e dá-lhe usar o nosso poder de sedução para encontrar "the big one", aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá pra ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir, às vezes, que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.



Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se não tem ao menos três destas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.


Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver Até a Última Gota. Só as cansadas é que recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

(Doidas e Santas, por Martha Medeiros).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conselhos


Aconselhável vadiar pelas praças, respirar o cheiro de pipoca das esquinas, olhar vitrinas, acreditar em Deus, sorrir para desconhecidos. Aconselhável dançar valsa e rock and roll, andar de bicicleta, pular corda, procurar óvnis no céu, alimentar cachorros vagabundos. Aconselhável ser feliz nas simples coisas. (Caio F. Abreu)

sábado, 9 de abril de 2011

ROCK: remédio para a alma e alimento para a mente.


Por muitas vezes me pego pensando: o que seria do mundo sem o rock? Aliás, o que seria do mundo sem o bom e velho rock? Sim, porque hoje em dia estamos carentes de boas bandas de rock, bandas que mantenham acesa a chama que Bill Haley e Elvis Presley fizeram surgir em milhares de almas ao redor do mundo, chama que se espalhou e virou febre e que alimentou gerações e gerações. Chego a acreditar que o bom e velho rock se perdeu no tempo, ficou preso nas décadas passadas e que, por vezes, vem renascer das cinzas nos corações de muitos ao redor do mundo, que lamentam não ter vivido entre os anos de 50 e 90, quando ainda surgiam bandas de peso e que traziam no sangue o verdadeiro rock'n'roll. Considero louváveis os pais que, hoje em dia, apresentam à seus filhos um pouco do passado, fazem presente em suas vidas o velho rock e lhes permitem conhecer algo além do grande caos musical ao qual o mundo viu-se submeter. Graças à Deus, entre tantas tentativas frustradas de se fazer rock, surgem alguns que conseguem e surpreendem. 



Nome: Kings Of Leon
Origem: Nashville, Estado do Tennessee - Estados Unidos
Componentes: Caleb Followill (vocal e guitarra); Matthew Followill (guitarra); Jared Followill (baixo) e Nathan Followill (bateria).
Estilo: Rock.

Tratam-se de 3 irmãos e 1 primo, criados por Leon Followill, com base em uma educação rígida e regrada à religião. Estudavam em casa e não lhes era permitido assistir televisão ou escutar música secular. O primeiro contado dos garotos com a música foi na banda da Igreja. Graças à Deus, eu diria. Pois foi ali que descobriram sua paixão pela música. Se juntaram para formar o Kings Of Leon em 2000, e lançaram o seu primeiro EP em 2002, intitulado Holy Roller Novocaine.  Dai em diante, foram lançados mais 5 álbuns: Youth and Young Manhood (2003), Aha Shake Heartbreak (2004-2005), Because of The Times (2007), Only by the Night (2008) e Come Around Sundown (2010). O mais aclamado, Only By The Night, consolidou o talento dos Followill e os tornou conhecidos em todo o mundo como a banda de estilo um tanto quanto sulista que trouxe uma esperança a mais para a história do rock.

Muitas pessoas devem conhecer uma música chamada Use Somebody, que ficou famosa em uma novela da Rede Globo, cujo nome me escapa da memória agora. A maioria não sabe, mas a música pertence à banda Kings Of Leon que, dentre tantas outras, lançou uma das minhas prediletas, chamada Be Somebody. Dá uma olhada na letra:



Taking to the floor with the wheel to the sky
I loosen my tie, I loosen my tie
Locking down the door with the rhythm and rhyme
I loosen my tie, I loosen my tie
Trying to recall what you want me to say
I shake your way, I shake your way
Counting on the night for a beautiful day
I shake your way, I shake your way
And I say you can't get enough
No you can't get enough
Given a chance, I'm gonna be somebody
If for one dance, I'm gonna be somebody
Open the door, it's gonna make you love me
Facing the floor, I'm gonna be somebody
Now is your time and you know where you stand
With a gun in your hand, with a gun in your hand
Now I'm no longer an ordinary man
Was this your big plan, your gun in your hand
And I say you can't get enough
No you can't get enough
Given a chance, I'm gonna be somebody
If for one dance, I'm gonna be somebody
Open the door, it's gonna make you love me
Facing the floor, I'm gonna be somebody
Be somebody
Be somebody



Recomendo à todos, meus leitores ou não, que ouçam e descubram um pouco mais sobre os garotos do Tennessee. Garanto que não irão se arrepender, principalmente aqueles que compartilham das minhas ideias e que são apaixonados por rock assim como eu. Espero ter a chance de ver nascerem outras bandas assim, que trabalhem pra que a velha chama permaneça acesa. Viva o rock, meus amigos! Viva o bom e velho rock and roll!

Gabi Roldão.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Um mistério chamado mulher,


Para entender uma mulher, é preciso mais que deitar-se com ela. Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa, que se possa prever nossa vã pretensão. Para possuir uma mulher, é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase.. numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade. Há de se conseguir fazê-la sorrir antes do próximo encontro. Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que amante perfeito. Há de se ter o jeito certo ao sair, e fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso. O potente, o amante, o homem viril, são homens bons. Bons homens são os de abraços e passos firmes. Bons homens são pra se contar e dividir histórias. Há, porém, o homem certo, de todo instante: o de depois, que se lembra para sempre. Para conquistar uma mulher, mais que ser este amante, há de se querer o amanhã. E, depois do amor, um silêncio de cumplicidade. E mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder. É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou do café. Para amar uma mulher, mais que entendê-la, mais que conhecê-la, mais que possuí-la, é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido em seus olhos. E também ser possuído e, ainda assim, também ser viril. Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la, há de ser conquistado. Todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser amado.

(Carlos Drummond de Andrade)


quinta-feira, 24 de março de 2011

Apenas venha,




Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque tenho medo e estou sozinho, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim.. Vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. 




Vem, que eu quero te mostrar o papel cheio de rosas nas paredes do meu novo quarto, no último andar, de onde se pode ver pela pequena janela a torre de uma igreja. Quero te conduzir pela mão, pelas escadas dos quatro andares, com uma vela roxa iluminando o caminho para te mostrar as plumas roubadas no vaso de cerâmica, até abrir a janela para que entre o vento frio e sempre um pouco sujo desta cidade. Vem, para subirmos no telhado e, lá do alto, nosso olhar consiga ultrapassar a torre da igreja para encontrar os horizontes que nunca se vêem, nesta cidade onde estamos presos e livres, soltos e amarrados.


Então eu quero que você venha, para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do Nepal, velas da Suécia na beirada da janela, acender charutos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros possíveis ou presentes impossíveis, dos meus muitos ou nenhuns eus.



Quero controlar o relógio, mil vezes por minuto, antes de ouvir o ranger dos teus sapatos amarelos sobre a madeira dos degraus e então levantar brusco para abrir a porta, construindo no rosto um ar natural e vagamente ocupado, como se tivesse sido interrompido em meio a qualquer coisa não muito importante, mas que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto, para baixo ou para cima, não sei, e então você ensaiasse um gesto feito um toque para chegar mais perto, apenas para chegar mais perto, um pouco mais perto de mim.



Eu quis te dizer, de como era bom que a gente tivesse se encontrado, assim, sem pedir, sem esperar. Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, ou outra espera qualquer. Que te acredito, que consegues mexer dentro, dentro de mim. Eu não sei explicar, acho mesmo que é uma questão de amor.



E no fim desses dias, desde que venhas, quero encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem...


E no fim de tudo isso, só lhe peço que venha. Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim. Entenda: é que no fundo, na minha memória tão congestionada e no meu coração, tão cheio de marcas, você ocupa o lugar mais bonito. 



*Uma homenagem ao autor que mais tem me inspirado ultimamente, Caio Fernando Abreu. E uma mensagem para alguém extremamente especial e único que, quando passar por aqui, vai entender o recado. 

Gabi Roldão.