quarta-feira, 6 de julho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Remar. Re-amar. Amar.


Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar. 


(Caio F Abreu)

E quando teu sol for chuva, querida, deixa molhar.




Eu comecei minha faxina. Tudo o que não serve mais - sentimentos, momentos, pessoas - eu coloquei dentro de uma caixa e joguei fora.Tô bem assim, bem indiferente. O coração, um cactus. Não me importo mais. Dane-se! Comigo sempre foi tudo ao contrário mesmo. Mas continuo com aquela velha ideia rondando meus pensamentos. Aquela que diz pra gente não desistir, ir em frente. Afinal, sempre há uma chance de você tropeçar numa coisa maravilhosa pelo caminho. Tô tentando rir um pouco. Tenho aprendido que tudo tem jeito, que o tempo é remédio pra tudo. Vivendo e aprendendo.


(Caio Fernando Abreu) 


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ausência, por Caio F Abreu.



Foi numa dessas manhãs sem sol que percebi o quanto já estava dentro do que não suspeitava. A tal ponto que tive a certeza súbita que não conseguiria mais sair. Não sabia até que ponto isso seria bom ou mau mas, de qualquer forma, não conseguia definir o que senti quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto. Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto — certamente havia o concreto em algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro.. Mas as miudezas se amontoavam pelos cantos. E o que marcava e pesava mais era o intangível, o que não se podia medir ou descrever.  Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca. Minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos. Meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro, onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama ao meu lado. Não conseguia compreender como conseguira penetrar naquilo sem ter consciência e sem o menor policiamento: logo eu, que confiava nos meus processos, e que dizia sempre saber de tudo sobre mim mesma. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram. A verdade é que nada ia sanar aquele sentimento.. se sentir sozinho mesmo tendo alguém, tem base? Mas era assim que me sentia, e doía. Mas o tempo é meu amigo, ele vai passar e vai levar consigo essa dor. Enquanto isso vou vivendo assim, desse jeito meio torto que tenho vivido. Meio pelos cantos, vou juntando os cacos e alimentando o peito com o que me resta de concreto em mãos. 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Para quando escorrerem as lágrimas.


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso, às vezes cruel porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará, quem sabe, para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, te supreenderás pensando algo como: estou contente outra vez. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse é o nosso jeito de continuar: o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito também, e talvez até te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor.  Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada - não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - por essa coisa que chamarás com cuidado de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio.  Então fingirás. Aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça. Tão perdida ficou no tempo (esse) e pensarás no tempo (naquele) e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais, ou tomar um trem para um lugar desconhecido, ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada pra que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa. Já não é tempo de desesperos. Refreias, quase segura as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim: passou, e eu sobrevivi e estou sobrevivendo.

(Vai Passar, por Caio Fernando Abreu)

sábado, 7 de maio de 2011

Eu voltarei pra você todos os dias.




Os amores de verão terminam por varias razões, mas no fundo todos tem uma coisa em comum: são estrelas cadentes, um momento espetacular de luz nos céus, um vislumbre passageiro da eternidade e, num segundo, desaparecem. Ou não.

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O melhor amor é aquele que nos desperta a alma e nos faz querer mais. Aquele que coloca fogo no coração e traz paz à mente. E foi isso que você me deu. Isso é o que o que esperava dar a você para sempre. Porque eu amo você, Al.

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A razão pela qual a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá.

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Eu posso ser engraçado se você quiser.. Inteligente, esperto, supersticioso, bravo, um bom dançarino. Eu posso ser o que você quiser. Só me diga o que você quer e eu serei aquilo pra você.



Se, em algum lugar distante no futuro, nós nos virmos, em nossas novas vidas, eu irei sorrir pra você com alegria, e lembrarei de como passamos o verão sob as árvores, aprendendo um com o outro e crescendo no amor. E talvez, por um breve momento, você sinta tudo outra vez também, e irá sorrir, e saborear as recordações que sempre dividiremos. Eu amo você, Allie.

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Não sou nada especial, e disso eu tenho certeza. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e levei uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e meu nome logo será esquecido... Mas em um aspecto, eu obtive sucesso como ninguém jamais teve. Amei alguém de coração e alma. E isso sempre foi o bastante pra mim.

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 Você acredita que nosso amor é capaz de fazer milagres?
 Claro, é ele que traz você de volta pra mim todos os dias.
Será que nosso amor seria capaz de nos levar juntos?
Nosso amor é capaz de fazer qualquer coisa.



(Diário de Uma Paixão)

sábado, 16 de abril de 2011

Doidas sempre, santas quando convém.


Vamos lá! Para começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Não, caríssimos, nem ela. Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações, que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos para cá, que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores, que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou a loucura em alguma gaveta, e nem se lembra mais. Santa mesmo, só a Nossa Senhora, mas, cá entre nós, não é uma doidera o modo como ela engravidou? (Não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do.)


Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida... e dá-lhe usar o nosso poder de sedução para encontrar "the big one", aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá pra ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir, às vezes, que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.



Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se não tem ao menos três destas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.


Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver Até a Última Gota. Só as cansadas é que recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

(Doidas e Santas, por Martha Medeiros).

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conselhos


Aconselhável vadiar pelas praças, respirar o cheiro de pipoca das esquinas, olhar vitrinas, acreditar em Deus, sorrir para desconhecidos. Aconselhável dançar valsa e rock and roll, andar de bicicleta, pular corda, procurar óvnis no céu, alimentar cachorros vagabundos. Aconselhável ser feliz nas simples coisas. (Caio F. Abreu)

sábado, 9 de abril de 2011

ROCK: remédio para a alma e alimento para a mente.


Por muitas vezes me pego pensando: o que seria do mundo sem o rock? Aliás, o que seria do mundo sem o bom e velho rock? Sim, porque hoje em dia estamos carentes de boas bandas de rock, bandas que mantenham acesa a chama que Bill Haley e Elvis Presley fizeram surgir em milhares de almas ao redor do mundo, chama que se espalhou e virou febre e que alimentou gerações e gerações. Chego a acreditar que o bom e velho rock se perdeu no tempo, ficou preso nas décadas passadas e que, por vezes, vem renascer das cinzas nos corações de muitos ao redor do mundo, que lamentam não ter vivido entre os anos de 50 e 90, quando ainda surgiam bandas de peso e que traziam no sangue o verdadeiro rock'n'roll. Considero louváveis os pais que, hoje em dia, apresentam à seus filhos um pouco do passado, fazem presente em suas vidas o velho rock e lhes permitem conhecer algo além do grande caos musical ao qual o mundo viu-se submeter. Graças à Deus, entre tantas tentativas frustradas de se fazer rock, surgem alguns que conseguem e surpreendem. 



Nome: Kings Of Leon
Origem: Nashville, Estado do Tennessee - Estados Unidos
Componentes: Caleb Followill (vocal e guitarra); Matthew Followill (guitarra); Jared Followill (baixo) e Nathan Followill (bateria).
Estilo: Rock.

Tratam-se de 3 irmãos e 1 primo, criados por Leon Followill, com base em uma educação rígida e regrada à religião. Estudavam em casa e não lhes era permitido assistir televisão ou escutar música secular. O primeiro contado dos garotos com a música foi na banda da Igreja. Graças à Deus, eu diria. Pois foi ali que descobriram sua paixão pela música. Se juntaram para formar o Kings Of Leon em 2000, e lançaram o seu primeiro EP em 2002, intitulado Holy Roller Novocaine.  Dai em diante, foram lançados mais 5 álbuns: Youth and Young Manhood (2003), Aha Shake Heartbreak (2004-2005), Because of The Times (2007), Only by the Night (2008) e Come Around Sundown (2010). O mais aclamado, Only By The Night, consolidou o talento dos Followill e os tornou conhecidos em todo o mundo como a banda de estilo um tanto quanto sulista que trouxe uma esperança a mais para a história do rock.

Muitas pessoas devem conhecer uma música chamada Use Somebody, que ficou famosa em uma novela da Rede Globo, cujo nome me escapa da memória agora. A maioria não sabe, mas a música pertence à banda Kings Of Leon que, dentre tantas outras, lançou uma das minhas prediletas, chamada Be Somebody. Dá uma olhada na letra:



Taking to the floor with the wheel to the sky
I loosen my tie, I loosen my tie
Locking down the door with the rhythm and rhyme
I loosen my tie, I loosen my tie
Trying to recall what you want me to say
I shake your way, I shake your way
Counting on the night for a beautiful day
I shake your way, I shake your way
And I say you can't get enough
No you can't get enough
Given a chance, I'm gonna be somebody
If for one dance, I'm gonna be somebody
Open the door, it's gonna make you love me
Facing the floor, I'm gonna be somebody
Now is your time and you know where you stand
With a gun in your hand, with a gun in your hand
Now I'm no longer an ordinary man
Was this your big plan, your gun in your hand
And I say you can't get enough
No you can't get enough
Given a chance, I'm gonna be somebody
If for one dance, I'm gonna be somebody
Open the door, it's gonna make you love me
Facing the floor, I'm gonna be somebody
Be somebody
Be somebody



Recomendo à todos, meus leitores ou não, que ouçam e descubram um pouco mais sobre os garotos do Tennessee. Garanto que não irão se arrepender, principalmente aqueles que compartilham das minhas ideias e que são apaixonados por rock assim como eu. Espero ter a chance de ver nascerem outras bandas assim, que trabalhem pra que a velha chama permaneça acesa. Viva o rock, meus amigos! Viva o bom e velho rock and roll!

Gabi Roldão.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Um mistério chamado mulher,


Para entender uma mulher, é preciso mais que deitar-se com ela. Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa, que se possa prever nossa vã pretensão. Para possuir uma mulher, é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase.. numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade. Há de se conseguir fazê-la sorrir antes do próximo encontro. Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que amante perfeito. Há de se ter o jeito certo ao sair, e fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso. O potente, o amante, o homem viril, são homens bons. Bons homens são os de abraços e passos firmes. Bons homens são pra se contar e dividir histórias. Há, porém, o homem certo, de todo instante: o de depois, que se lembra para sempre. Para conquistar uma mulher, mais que ser este amante, há de se querer o amanhã. E, depois do amor, um silêncio de cumplicidade. E mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder. É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou do café. Para amar uma mulher, mais que entendê-la, mais que conhecê-la, mais que possuí-la, é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido em seus olhos. E também ser possuído e, ainda assim, também ser viril. Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la, há de ser conquistado. Todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser amado.

(Carlos Drummond de Andrade)